Introdução

No plano dos crimes sobre crianças, o abuso sexual, quer por todas as suas dinâmicas e dimensões que envolve, quer pela crescente mediatização dos casos que vão sendo conhecidos, tem sido objecto de uma particular atenção. A fenomenologia do abuso sexual retrata-nos um crime privado e secreto, na maior parte das situações praticadas na intimidade da família, sobre o qual a vítima é a única testemunha, ou seja, o único meio (indirecto) de conhecimento da Verdade (Manita, 2003).

Enquadrado por estas premissas legais, ao Psicólogo Forense é lhe solicitada a descrição do Subjectivo sob o preceito da Credibilidade, ou seja, compete ao Psicólogo – Perito uma avaliação psicológica da criança com o objectivo de verificar a relação entre o seu funcionamento psicológico e o (s) acto (s) que a colocaram em contacto com o sistema judicial. Este desafio assume particular importância nos casos de abuso sexual de crianças devido, em primeiro lugar pelas características deste fenómeno, como aliás já sublinhamos; em segundo lugar, pelo crescente consciência social e consequente mediatismo que estes casos têm sido alvo. Desta forma, mediante estas novas exigências naquilo que o Psicólogo, sobretudo na vertente clínica, estava habituado a corresponder, surge uma premente necessidade de adoptar novos enquadramentos teóricos, transpondo, em alguns casos, outros campos científicos, no espírito de uma autêntica multidisciplinaridade. Assim, torna-se também urgente o refinamento de metodologias e de modelos de intervenção, mais especificamente, a adequação dos quadros conceptuais que pautam a Avaliação Psicológica, entendida aqui como disciplina clínica.

A literatura da especialidade (Browne & Finkelhor, 1986), bem como a experiência clínica, tem demonstrado que a vivência do abuso sexual provoca um forte impacto psicológico sobre as suas vítimas. Neste sentido, a intervenção psicológica, sobre a forma de vários modelos teóricos e estratégias terapêuticas, dá um importante contributo para a mitigação dos quadros sintomatológicos e conflitos intra-psíquicos muitas vezes manifestados por crianças vítimas de abuso sexual. No entanto, a especificidade das dinâmicas psicológicas presentes numa relação abusiva implica a adaptação da intervenção psicoterapêutica.

Data de realização do curso

21 de Março de 2009

Local(is) de realização

Campus Universitário de Gandra

Áreas de conhecimento

  • Psicologia

Estrutura curricular

1. Introdução
- Definição da Problemática
- Perspectiva Histórica
- Epidemiologia
- Enquadramento Jurídico

2. Avaliação Psicológica Forense
- Avaliação Psicológica e Contexto Forense
- Psicologia Forense e os Casos de Abuso Sexual
- A avaliação desenvolvimental do funcionamento global da criança
- A avaliação do impacto das situações de abuso sexual
- A avaliação das dinâmicas psicológicas do abuso sexual
- Metodologias de avaliação

3. Intervenção Psicológica
- Especificidades da intervenção psicológica nos casos de abuso sexualidade
- Introdução a modelos terapêuticos individuais
- Introdução a modelos terapêuticos grupais
- Introdução a modelos de intervenção psicossocial

Documentação necessária de candidatura

Curriculum Vitae em modelo Europass (ver anexo);
Fotocópia do Certificado de Habilitações;
Preenchimento do boletim de candidatura (ver anexo);
Fotocópia do Bilhete de Identidade, cartão de contribuinte;
1 Fotografia;
Cheque no valor da candidatura.

Informação e contactos

CESPU-Formação
Rua Central de Gandra, 1317
4585-116 Gandra - Paredes
Telefone 224 157 174/06
info@formacao.cespu.pt
www.cespu.pt

Local(is) de formação do curso

Campus Universitário de Gandra - Paredes
Campus Universitário de Gandra - Paredes
R. Central de Gandra, 1317
4585-116 GANDRA PRD - PORTUGAL

Entidades parceiras

Coordenação científica

Coordenação pedagógica

Objetivos

O Curso 'Peritagem Forense: Avaliação e Intervenção Psicológicas no Abuso Sexual de Crianças' terá como objectivo capacitar os auditores de competências na avaliação e intervenção psicológica em situações de abuso sexual de crianças, dotando-os de modelos teóricos e metodológicos baseados no estado da arte da investigação científica nesta área, bem como na prática clínica corrente.

Resumo

No plano dos crimes sobre crianças, o abuso sexual, quer por todas as suas dinâmicas e dimensões que envolve, quer pela crescente mediatização dos casos que vão sendo conhecidos, tem sido objecto de uma particular atenção. A fenomenologia do abuso se

Metodologia

A operacionalização dos objectivos atrás elencados implica, obrigatoriamente, a adopção de metodologias com uma forte componente experiencial, permitindo uma integração teórico-prática integrada e aplicada dos conteúdos abordados. Neste sentido, o recurso a metodologias de Estudo de Caso e Resolução Prática de Problemas, associada a actividades em pequeno grupo e estratégias de exploração individual.

Destinatários

Psicólogos, alunos de cursos de Mestrado em Psicologia, técnicos com formação em Psicologia Forense e/ou com actividade profissional em peritagem forense.

Candidatura e selecção

Análise curricular académica e profissional e ordem de inscrição.

Nº de vagas para o curso

25

Carga horária

30 Horas

Unidades de crédito do curso

4

Critérios de aprovação

A avaliação da acção consistirá na realização não-presencial de ficha de trabalho individual com componente prática aplicada, a enviar via correio electrónico ao formador até 15 dias após o término da formação presencial. Obrigatória a presença a 80% da acção (24 horas) para obtenção de certificado.

Duração e regime

O Curso decorrerá de 21 de Março a 04 de Abril de 2009.
As sessões decorrerão às Sextas das 18h00 às 22h00 e aos Sábados das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

Cronograma

21, 27 e 28 de Março de 2009
03 e 04 de Abril de 2009

Corpo docente

Carlos Eduardo Dos Santos Peixoto, Dr.
Psicólogo Forense do CICLIF - Centro de Investigação e Clínica Forense Porto. Ex-Psicólogo Forense no Gabinete de Estudos e Atendimento a Vítimas da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (GEAV) desde a sua constituição. Doutorando da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UP na área da Psicologia Forense, mais concretamente, na avaliação psicológica forense das alegações de abuso sexual de crianças sob orientação da Professora Doutora Celina Manita. Pós-graduação em Medicina Legal pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e pelo Instituto de Medicina Legal. Do seu percurso profissional as actividades de intervenção clínica e pericial, formação especializada, participação em reuniões científicas, bem como investigação científica na problemática dos Maus-tratos contra Crianças, constituem-se como uma promissora referência. Tem publicado, em co-autoria, alguns artigos e capítulos de livros em revistas e livros.

Emolumentos

Candidatura
50 Euros
Propinas (IVA Incluído)
Para Cooperantes da CESPU, Crl e Instituições Protocoladas
200 Euros ou 2 prestações mensais de 100 Euros
Para Não Cooperantes da CESPU, Crl
250 Euros ou 2 prestações mensais de 125 Euros