03.06.2026

O impacto das grandes cargas na saúde pélvica feminina é o tema central do novo artigo de opinião assinado pelas docentes da Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Tâmega e Sousa (IPSN-CESPU) — Sofia Lopes, Alice Carvalhais, Ágata Vieira e Gabriela Brochado — na plataforma My Urologia.

Tendo por base um estudo recente que revela que mais de 60% das atletas de halterofilismo sofrem de perdas involuntárias de urina durante a prática desportiva, as investigadoras defendem a urgência de quebrar o silêncio em torno desta temática e sublinham a importância de uma abordagem personalizada na área da Fisioterapia Pélvica."

  • Prevalência Elevada: Mais de 60% das atletas inquiridas reportaram perdas de urina nos treinos, e 36,9% apresentam sintomas mensuráveis de incontinência de esforço.

  • Causas Complexas: Surpreendentemente, o problema não está associado aos fatores de risco tradicionais (como idade, IMC ou gravidezes anteriores), nem isoladamente à carga ou ao uso de cinto. A saúde pélvica é multifatorial e envolve aspetos neuromusculares e psicossociais.

As investigadoras da CESPU sublinham que a intervenção não pode assentar em "respostas-padrão". É fundamental desenhar planos de reabilitação personalizados que respeitem os gestos técnicos do halterofilismo e os padrões respiratórios das atletas.

Além disso, o artigo deixa um apelo claro à comunidade desportiva para romper o estigma. Muitas atletas sofrem em silêncio, restringem o esforço ou abandonam a modalidade por vergonha. Cabe aos profissionais de saúde criar espaços seguros e livres de julgamento para diagnosticar e tratar esta condição com eficácia.


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